Dados da Secex revelam queda abrupta nas vendas de carne bovina e crescimento expressivo das aves no mercado externo.
O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) divulgou nesta terça‑feira (8) os números oficiais de exportação de carnes referentes ao mês de agosto, mostrando que o Brasil enviou 27,09 % menos carne bovina ao exterior, ao passo que as exportações de frango subiram 22,59 % e as de suínos avançaram de forma mais tímida. O recuo da carne bovina ocorreu apesar da manutenção da produção interna, indicando alterações nos mercados de destino e nas políticas comerciais.
Queda da carne bovina: causas e números
Segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o volume exportado de carne bovina em agosto foi de 1,02 milhão de toneladas, contra 1,40 milhão em julho, representando a maior retração mensal do ano. A receita gerada com a carne bovina caiu de US $ 2,8 bilhões para US $ 2,0 bilhões, refletindo a perda de contratos com a China, maior comprador do produto.
Especialistas apontam que a desaceleração da demanda chinesa, combinada com a valorização do dólar, elevou o preço final da carne bovina nos mercados internacionais, tornando-a menos competitiva frente a produtores como Austrália e Argentina. Além disso, restrições sanitárias temporárias impostas por alguns países importadores reduziram a capacidade de embarque das usinas gaúchas.
Frango em alta: o que impulsiona o crescimento
Em contraste, as exportações de carne de frango alcançaram 1,45 milhão de toneladas, 22,59 % acima do mês anterior, gerando receita de US $ 1,9 bilhão. O principal motor desse aumento foi a demanda da União Europeia, que recebeu 38 % da produção exportada, seguida por países do Oriente Médio.
O Associação Brasileira das Indústrias de Alimentos (ABIA) atribui o sucesso ao investimento em certificações de qualidade e ao fortalecimento da cadeia logística nas rotas marítimas. “A diversificação de mercados e a adaptação rápida às exigências sanitárias internacionais foram cruciais para esse salto”, afirmou Marcos Silva, diretor de comércio exterior da ABIA.
“O Brasil tem mostrado resiliência ao adaptar sua produção às exigências dos consumidores globais, e o frango está colhendo os frutos dessa estratégia”, disse o secretário‑adjunto de Comércio Exterior, Rafael Dantas.
Carne suína: crescimento moderado, mas estável
A carne suína registrou um aumento de 5,3 % no volume exportado, totalizando 0,68 milhão de toneladas, com receita de US $ 720 milhões. Os principais destinos foram a América Latina, especialmente o México e a Colômbia, que mantiveram a demanda constante.
Embora o crescimento seja modesto, ele indica que o setor suinícola está menos vulnerável a flutuações cambiais e sanitárias, graças à diversificação de produtos, como cortes premium e embutidos prontos para consumo.
Contexto histórico e próximos passos
Nos últimos cinco anos, a carne bovina representou cerca de 55 % das exportações totais de carne do Brasil, enquanto o frango subiu de 25 % para quase 30 % da fatia exportadora. A queda de agosto pode ser vista como parte de um ciclo de ajuste, onde os compradores internacionais buscam alternativas mais baratas ou com menor risco sanitário.
O MAPA anunciou que intensificará as negociações bilaterais com a China e a União Europeia, buscando acordos que reduzam tarifas e simplifiquem inspeções. Paralelamente, o governo estadual do Rio Grande do Sul está investindo em infraestrutura portuária em Rio Grande e São Borja, visando melhorar a eficiência logística das exportações de carne bovina.
O panorama aponta para uma reconfiguração da pauta exportadora brasileira, com o frango ganhando protagonismo e a carne bovina precisando de estratégias de preço e qualidade para reconquistar mercados perdidos. O desempenho de agosto serve de alerta para produtores, exportadores e autoridades, que deverão alinhar políticas de apoio e inovação para manter a competitividade do agronegócio gaúcho no cenário global.
Imagem:Divulgação.