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El Niño eleva risco à soja no Sul e abre oportunidade para o Centro‑Oeste na safra 26/27

Chuvas intensas entre outubro e fevereiro podem reduzir a produção gaúcha, enquanto a regularidade pluviométrica no Centro‑Oeste pode compensar a queda.

El Niño eleva risco à soja no Sul e abre oportunidade para o Centro‑Oeste na safra 26/27
Central Vidros Vidros sob medida para Pelotas e região

Especialistas do Instituto de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) alertam, nesta segunda‑feira (8), que o fenômeno El Niño está intensificando o risco de queda na produção de soja no Rio Grande do Sul para a safra 2026/27, enquanto o Centro‑Oeste apresenta condições climáticas que podem mitigar o déficit nacional.

O panorama climático da safra 26/27

Desde o início de outubro de 2025, o Sul do Brasil tem registrado um volume de chuvas acima da média histórica. Dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) apontam que, até o final de fevereiro de 2026, o estado do Rio Grande do Sul recebeu aproximadamente 450 mm a mais que o esperado para a estação, o que eleva a vulnerabilidade das áreas de plantio de soja.

O fenômeno El Niño, que se consolidou no final de 2024, tem provocado padrões de precipitação anômalos em todo o país. No Sul, a combinação de chuvas intensas e períodos de saturação do solo favorece o surgimento de doenças fúngicas, como a ferrugem asiática, e aumenta a incidência de encharcamento, dificultando a operação de máquinas agrícolas.

Em contrapartida, o Centro‑Oeste – principal celeiro nacional – tem desfrutado de um regime pluviométrico mais equilibrado. As medições de março de 2026 mostram que o estado de Mato Grosso do Sul recebeu 120 mm a menos que a média, mas dentro de limites que permitem um desenvolvimento saudável da cultura, sem risco de déficit hídrico.

Repercussões econômicas e declarações das autoridades

Segundo o Conselho Nacional da Produção de Soja (CNPS), a projeção de produção nacional para a safra 26/27 pode cair de 140 milhões de toneladas para cerca de 133 milhões, uma redução de quase 5 %. O órgão atribui a maior parte desse recuo ao Sul, onde a expectativa de colheita poderia cair de 10,8 milhões de toneladas para menos de 9,5 milhões.

Em entrevista ao Canal Rural, o agrônomo Dr. Carlos Alberto Silva, da Embrapa Soja, enfatizou que “o excesso de água nos primeiros estágios de desenvolvimento da soja compromete a formação de vagens e favorece a proliferação de patógenos”. Ele acrescentou que “as áreas do Centro‑Oeste, com chuvas mais distribuídas, têm maior chance de manter a produtividade esperada, o que será crucial para equilibrar o resultado nacional”.

“Precisamos monitorar de perto a evolução das doenças e adaptar o manejo químico, caso o cenário de umidade persista”, alertou o Dr. Carlos.

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) já sinalizou a possibilidade de liberar linhas de crédito emergencial para produtores afetados no Sul, visando a compra de defensivos e a adoção de tecnologias de drenagem.

Análise de impactos regionais e estratégias de mitigação

Para o Rio Grande do Sul, a combinação de solos argilosos em regiões como a Campanha e a presença de microbacias propensas a alagamentos eleva o risco de perdas superiores a 15 % nas áreas mais afetadas. Agricultores de municípios como São Gabriel, São Vicente do Sul e Alegrete já relatam dificuldades para operar tratores em campos encharcados, o que pode atrasar a colheita em até 30 dias.

Já no Centro‑Oeste, a perspectiva é mais otimista. A regularidade das chuvas permite que os produtores mantenham o calendário de plantio e colheita sem grandes interrupções. Contudo, especialistas alertam que a dependência de uma única região para compensar perdas pode gerar volatilidade nos preços internos e pressionar a balança comercial.

Contexto histórico e próximos passos

O El Niño já havia impactado a produção de soja em 2015‑16, quando o Sul registrou perdas de cerca de 2,3 milhões de toneladas. Naquela ocasião, o Centro‑Oeste conseguiu suprir parte da demanda, mas o preço da commodity subiu 12 % no mercado interno.

Para a safra 26/27, o Mapa prevê a liberação de R$ 1,2 bilhão em programas de apoio técnico e financeiro até o final de 2026, além de campanhas de extensão rural focadas em manejo de doenças e técnicas de drenagem de solo.

Em síntese, o El Niño traz um cenário de incerteza para a soja gaúcha, mas a estabilidade climática do Centro‑Oeste oferece uma válvula de escape que pode preservar a produção nacional. O sucesso dependerá da rapidez das respostas técnicas, da disponibilidade de recursos financeiros e da capacidade de adaptação dos produtores frente a condições climáticas voláteis.

Imagem: Divulgação.

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