Operação especial de transporte e justiça será mantida de 4 a 13 de setembro, com linhas extras e apoio jurídico ao público
Setram e MetrôRio confirmaram que, a partir desta sexta‑feira (4), trens e metrô do Rio de Janeiro operarão em regime de 24 horas, com programação especial para atender os mais de 100 mil visitantes diários esperados na Cidade do Rock. A medida visa facilitar a chegada e o retorno dos fãs, evitando aglomerações e garantindo mobilidade segura durante o festival que acontece de 4 a 7 de setembro e, na segunda fase, de 11 a 13 de setembro.
Operação 24 h: como funciona a nova programação
Para a primeira fase do Rock in Rio, as estações Central do Brasil, Madureira e Deodoro ficarão abertas durante toda a madrugada, algo inédito na história do transporte público carioca. Em cada uma delas, os trens circularão de hora em hora, oferecendo opções de retorno direto para bairros como Santa Cruz, Japeri, Saracuruna e Belford Roxo. Essa frequência extra foi pensada para integrar o sistema de metrô (na Central do Brasil) ao BRT (em Deodoro e Madureira), facilitando a conexão entre moradores e visitantes.
Além das viagens regulares, haverá trens extras partindo de Deodoro com destino à Central e da Central do Brasil para as linhas citadas acima. As partidas ocorrerão a cada 60 minutos durante a madrugada, permitindo que quem curte o show até o último minuto não fique preso nas ruas.
O apoio da Justiça: Juizado Especial do Torcedor
O Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ) instalará, durante todo o período do festival, o Juizado Especial do Torcedor e dos Grandes Eventos na Arena Carioca 1. O posto funcionará das 14 h até o encerramento das atividades diárias, oferecendo atendimento para casos de furto de celular, problemas com ingressos, conflitos com a organização, questões de consumo e, sobretudo, violência de gênero.
Em situações de prisão em flagrante, as audiências de custódia serão realizadas no próprio juizado, com duas equipes de magistrados – um juiz por turno – e um juiz coordenador que supervisionará todo o processo. A iniciativa reforça o compromisso das autoridades em garantir acesso rápido à justiça e proteção ao público.
“Nosso objetivo é que ninguém precise enfrentar burocracias ou insegurança para resolver questões emergenciais durante o festival. O Juizado Especial do Torcedor está pronto para atender a todos, de forma ágil e humana”, afirmou a presidente do TJRJ, Débora Almeida.
Impactos esperados para a cidade e para o público gaúcho
Para os gaúchos que viajam ao Rio para curtir o Rock in Rio, a operação 24 h representa um alívio significativo. Muitos chegam de trem a partir de São Paulo ou de ônibus interestadual, e a possibilidade de retornar à capital gaúcha em horários flexíveis reduz o risco de pernoitar em hotéis caros ou enfrentar filas nos terminais.
Além da comodidade, a medida deve aliviar a pressão sobre as vias expressas que conectam o centro da cidade ao Complexo da Cidade do Rock, como a BR‑101 e a Linha Amarela. Especialistas em mobilidade urbana apontam que a integração entre metrô, BRT e trens pode reduzir em até 30 % o volume de veículos particulares nas rodovias nos dias de pico.
Contexto histórico e próximos passos
Esta não é a primeira vez que o Rio adapta seu sistema de transporte para grandes eventos; porém, a extensão para 24 horas em linhas urbanas é inédita. Em 2016, durante a Olimpíada, foram criados serviços extras, mas o horário de funcionamento permanecia limitado ao período diurno. A experiência acumulada nas edições anteriores do Rock in Rio, aliada à pressão da população e dos organizadores, motivou a decisão de ampliar o horário.
Após o encerramento da segunda fase, em 13 de setembro, a Setram avaliará o desempenho da operação e considerará a possibilidade de tornar algumas dessas mudanças permanentes, sobretudo a abertura noturna de estações estratégicas como Central do Brasil.
Com a combinação de transporte ampliado e apoio jurídico imediato, as autoridades pretendem transformar o Rio em um modelo de logística para megaeventos, garantindo que a festa musical não se torne um caos de mobilidade ou insegurança. O sucesso da operação será medido não apenas pelo fluxo de passageiros, mas também pela rapidez com que questões emergenciais forem resolvidas, reforçando a imagem da cidade como destino seguro e bem preparado para receber público de todo o Brasil, inclusive do Rio Grande do Sul.