O Partido dos Trabalhadores (PT) está vivendo um momento histórico no Rio Grande do Sul (RS). Pela primeira vez desde sua fundação, em 1980, o partido não terá candidato próprio ao governo do estado. A decisão foi tomada após um acordo firmado entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o dirigente nacional do PT, Edinho Silva, com o PDT de Carlos Lupi e o PSB de João Campos.
O que aconteceu
O PT gaúcho pretendia ter candidatura própria e lançou Edegar Pretto como o pré-candidato do partido. No entanto, o diretório nacional do PT não cedeu às pressões do PT gaúcho e decidiu apoiar a candidatura de Juliana Brizola (PDT) ao governo do estado. Edegar Pretto será o vice na chapa de Juliana Brizola.
A decisão foi tomada em Brasília e é vista como uma estratégia para ter um palanque único para a campanha de Lula nos estados. O PDT apoia candidaturas petistas em 12 estados, contando o Distrito Federal, e em troca, os pedetistas pediram apoio em dois estados, incluindo o Rio Grande do Sul.
O cenário atual
O PT já governou o Rio Grande do Sul em duas oportunidades, com Olívio Dutra (1999-2002) e com Tarso Genro (2011-2014), além de ter conquistado a prefeitura de Porto Alegre em quatro eleições seguidas, governando a capital gaúcha entre 1989 e 2004. No entanto, desde 2018, o partido não passou mais do primeiro turno de uma eleição para governador.
Segundo o cientista político e professor da UFRGS, Rodrigo Stumpf Gonzalez, a decisão do PT de não ter candidato próprio ao governo do RS é uma estratégia para garantir apoio a candidatos do espectro da esquerda. "Em condições normais, o PT-RS apresentaria candidato próprio. Mas, como é do interesse do presidente Lula a aproximação com o PDT, e um dos estados que o PDT ainda tenha uma certa força é o RS, isso levou a essa aliança, ainda que a contragosto de algumas das lideranças do próprio PT estadual", analisa Gonzalez.
Impacto para a população
A decisão do PT de não ter candidato próprio ao governo do RS pode influenciar as eleições no estado. A dobradinha PDT-PT desponta como uma das principais candidaturas da eleição gaúcha, segundo recentes pesquisas de intenção de voto, com chances de chegar até a etapa decisiva da eleição.
Segundo o cientista político e professor do curso de Ciências Sociais e do Consumo da ESPM, Paulo Ramirez, o PT mudou sua estratégia desde 2018, quando foi derrotado nas urnas, e agora busca promover recursos em alguns estados, deixando de ter candidatos a governador e aplicando apoio a candidatos do espectro da esquerda. "Fora todo o desgaste do PT no Sul do país, no RS, em Santa Catarina. Diante dessa aversão, o PT se deu conta que seria muito mais interessante garantir apoio de eventuais aliados eleitos do que necessariamente promover suas próprias campanhas", completa.
Contexto histórico
O PT já tem uma longa história no Rio Grande do Sul, desde sua fundação em 1980. O partido sempre teve uma presença forte no estado, com candidatos próprios ao governo e à prefeitura de Porto Alegre. No entanto, a decisão de não ter candidato próprio ao governo do RS é um marco importante na história do partido no estado.
Segundo o presidente estadual do PDT e prefeito de Osório, Romildo Bolzan Jr., a decisão de unir forças com o PT é uma estratégia para ter um palanque único para a campanha de Lula nos estados. "É muito importante essa visão que se criou na eleição a partir de um cenário nacional e que acabou se estendendo para o RS. A candidatura da Juliana é muito competitiva e o entendimento do PT, tanto nacional quanto local, foi de criar uma aliança com amplitude que vai do centro-esquerda até a esquerda. Essa amplitude dá uma enorme capacidade eleitoral e amplia os horizontes políticos", afirma.
"Tem um valor histórico. Essa articulação toda foi feita a partir de uma leitura correta de que esta eleição é nacionalizada. Precisamos estar com as campanhas do estado extremamente afinadas com a campanha nacional. Ter aqui a aliança com o PDT faz parte dessa coesão nacional articulada a partir da direção nacional do PT, do PDT, do PSB e do próprio presidente Lula", complementa Valdeci Oliveira, deputado estadual e presidente do PT.
Análise
A decisão do PT de não ter candidato próprio ao governo do RS é uma estratégia para garantir apoio a candidatos do espectro da esquerda. A dobradinha PDT-PT desponta como uma das principais candidaturas da eleição gaúcha, com chances de chegar até a etapa decisiva da eleição.
No entanto, a decisão também pode ter consequências negativas para o PT no estado. A falta de um candidato próprio pode levar a uma perda de identidade e de apoio entre os eleitores do partido.
Próximos passos
Agora que a decisão foi tomada, o PT e o PDT precisam trabalhar juntos para garantir a vitória de Juliana Brizola e Edegar Pretto. A campanha será importante para definir o futuro do estado e do país.
Em resumo, a decisão do PT de não ter candidato próprio ao governo do RS é uma estratégia para garantir apoio a candidatos do espectro da esquerda. A dobradinha PDT-PT desponta como uma das principais candidaturas da eleição gaúcha, com chances de chegar até a etapa decisiva da eleição. No entanto, a decisão também pode ter consequências negativas para o PT no estado.